AMANTE INESQUECÍVEL, O VINHO!

Escrito por Doutor Guaracy Moreira Filho

Fernando Pessoa dizia que a vida é boa, mas o vinho é melhor.
Sempre gostei de vinho, e isso veio desde a minha mocidade. Puxando pela memória, acho que minha saudosa avó Rafaela foi a responsável por este gosto meio sofisticado para a época, mas indispensável para os nossos dias. Para ela, almoço sem vinho era o mesmo que cinema sem pipoca, futebol sem torcida ou o Silvio Santos sem auditório; não tinha a mínima graça.

Guardadas as proporções, esta bebida que nos alimenta a alma, pode sim, ser comparada aos verdadeiros amigos, pois, como eles, está sempre presente nas comemorações tradicionais, nas alegrias eventuais, nos momentos de exaltação e, claro, naqueles dias de aborrecimentos e de decepções que a vida nos proporciona.

De outra parte, não há nada melhor nem mais leal que o vinho para desfrutar da companhia da pessoa amada, mesmo que ele a conquiste definitivamente. Aqui não haverá ciúmes, ao contrário, esse sentimento nos envaidece e nos enobrece. Como dizia Alberto Catalão, “onde o bom vinho falta, encurta o espaço para o amor”.

Faz-se, assim, o vinho, obrigatório na cama, na mesa, no chão ou apenas contemplando as estrelas. Vivas ao romance, vivas ao amor, vivas as conquistas, mas vivas também ao vinho.

A paixão que envolve os amantes, a inspiração que arrebata os poetas e a determinação que impulsiona os vencedores não teria muito sentido sem a presença inebriante e carismática do vinho.
O amor quando chega, chega devagar, de mansinho, como quem não quer nada e, de repente, se infiltra dentro de nós e não mais nos deixa. Fica incrustrado no coração com a imagem de quem se ama. Assim é o vinho, só que incrustrado na alma…

Quando falamos de “vino” italiano, prefiro os do Sul, a uva Nero de Tróia uma das minhas preferidas, pelo forte aroma de madeira e frutas de bosque, o  Tufarello, representa bem, com ótima persistente na boca e muito equilibrado,  oferecido pelas uvas cuidadosamente colhidas e manualmente selecionadas.

Quando o assunto é  “vino rosé”, muito me agrada os chileno com boa acidez , um vinho bem gastronômico para acompanhar frutos do mar e peixes, leve e fresco, um vinho de verão pelas uvas com gosto de amoras verdes representado maravilhosamente pelo vinho Anhelo.

Já o ”vin rouge” francês da região do Cothes du Rhone, com aroma de terra úmida ,  e aromas complexos terciários como couro e terra, me remetem ao delicioso Crozes Hermitage (que todo mundo deve degustar um dia), em nada modificam o placar do jogo.

Se o mágico tem como amigo o coelho, o policial a arma e o professor o livro, eu tenho o vinho. E se eles se reunissem para uma confraternização certamente pediriam a bebida preferida pelo “homem de Nazaré”.

Se o barco precisa do mar, a primavera do sol e a borboleta da flor, o homem precisa do vinho.

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