UM BRINDE AO PAPALE!

 

Escrito pelo Sommelier Paulo Xavier

Olá amigos e amantes dos bons vinhos,

Muitas vezes nos deparamos com a dúvida na hora de comprar vinhos, qual país?
Os mais tradicionais Chile, Argentina, Itália, França ou Espanha?
Que uva escolher? Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec ou Carmenere?

Mas porque sempre as mais conhecidas?
Hoje temos mais de 5 mil nomes de uvas, as vezes nomes diferentes para mesma uva conforme o país.
Por exemplo na Espanha temos a uva Tempranillo que em Portugal é conhecida de Tinta Roriz.
Na Itália a uva italiana conhecida pelo nome Primitivo (região da Puglia-Manduria) é conhecida com o nome de Zinfandel na Califórnia. E não é somente os nome que são diferentes, as características por causa do terroir, é praticamente impossível de dizer que se trata da mesma uva.

Uma primitivo que representa bem o seu papel é no vinho italiano Primitivo di Manduria Papale-Varvaglione Dop (Denominazione di Origine Protetta). Vinho frutado, com notas intensas de frutas frescas, amoras, cereja, toques de chocolate e alcaçuz. Além de sedoso e de cor vermelho rubi, é gastronômico acompanha carnes vermelhas grelhadas ou queijos de media cura.

Vocês precisam conhecer, esse vinho é tão espetacular que a história dele também é digna de atenção…

O Vinho do Papa?
É uma terça feira qualquer em Culver City, Califórnia, quando Michael Carpenter chega em sua loja de vinhos The Red Collection. De repente uma ligação do exterior, querendo saber se ele teria como enviar uns vinhos para Itália. O desconhecido cliente quer 115 garrafas de um Primitivo di Manduria, com um nome que em inglês não quer dizer nada: “Papale”. O Michael estranhou muito o pedido: enviar vinho italiano dos EUA para Itália era algo que não fazia muito sentido, ainda mais que cada garrafa sairia pelo dobro do valor, incluindo o frete. Obviamente ele aceita e quando pergunta o endereço de entrega a resposta é mais incrível ainda: “Cidade do Vaticano, escritório do Cardeal Secretário de Estado”.
Só depois, lendo o rótulo, que o Michael entendeu. A vinícola Varvaglione, produtora do vinho em questão, escolheu o nome “Papale” como dedicatória à eleição do Papa Bento XIII, originário justamente da Puglia, e o rótulo conta um pouco desta história.
O vinho é muito vendido no exterior, motivo pelo qual foi mais fácil achá-lo nos Estados Unidos que na própria Itália.
Por que não um vinho argentino, então? Bem, o pedido foi feito um dia antes da escolha do novo Pontífice, quando ainda ninguém sabia a nacionalidade do sucessor do Bento XVI, então pensou-se que um vinho homenageando o País hóspede da Igreja e ainda com nome papal agradaria de qualquer forma.
Mas por que 115 garrafas? Simples, o Conclave é formado por 115 cardeais.

Um brinde!

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